1Amor1Ciclo

 ”E Jacó ficou sozinho. Então veio um homem que se pôs a lutar com ele até o amanhecer.”

 Gênesis 32.24

Quem sou eu?
Um acidente de percurso?
Um risco calculado?
Ou um nome desejado?

O que me garante que eu sou eu mesmo e não um simples brinquedo, usado de acordo com o momento?
Eu que faço minhas escolhas?
Ou será que minhas escolhas é que me fazem e me trazem a este assento?

Será que pensar me faz existir?
Ou será que o que sinto que me garante a existência?

Fui buscar no espelho minha resposta, mas não me encontrei. Ali só vi uma sombra, um reflexo turvo daquilo que eu deveria ser.
Por quê que ao encarar a face tão pura dessas águas encontro figura tão indesejável?
“Leve contigo esta imagem, pequeno rio, para onde quer que esteja fluindo, mas tire-a daqui!”
Será um castigo, uma inversão
daquele sujeito que se apaixona por si mesmo?
Estou eu, condenado a me rejeitar por toda eternidade?

Eis que uma voz mais pura que as águas me encontra. Me diz que olho na direção errada, procuro onde não há respostas, só ilusões e meias-verdades.
A voz me desafia, diz que se conseguisse agarra-la ela me daria o que tanto procuro.
Passaram-se horas, dias e até mesmo anos neste confronto. Até que num determinado momento a voz me pede para que a solte, para que ela pudesse encontrar outros desencontrados. Mas eu disse que não a largaria enquanto não tivesse minha resposta. A voz então me feriu e me chamou por outro nome. Se foi, eu não tive minha resposta e fiquei ferido em uma perna.

Não tive outra opção, precisei pedir ajuda para conseguir caminhar, se tornou quase impossível fazê-lo sozinho.
Embora me acostumasse com a dor, depender de favores não é algo que traz segurança. Mas quando foi que eu a tive?

Ao contrário do que esperava, depois de ferido mais pessoas se aproximavam de mim, não por pena, como desconfiei em princípio. Mas como pude notar, pelo fato de carregar esta marca no corpo, pois elas também carregavam as suas. E viam em mim alguém que pudesse ajudá-las a suportar suas dores.
Não me sentia apto a ajudar ninguém, mas conforme o fazia a minha dor diminuía.

Não busco mais saber quem sou. Ganhei uma identidade ao ser ferido, um novo nome, não o nome que desejei, mas aquele que precisava. Não descubro quem sou ao olhar para o que tenho, mas sim, ao olhar para o que não tenho. Tive de olhar pra fora, saltar no desconhecido, encontrar com alguém que realmente me desafiasse, me percebesse e tornasse visível, trouxesse a tona minha ferida para que de fato eu pudesse viver.

Luiz Felipe Queiroz

1 comentário

Conheci o 1a1c sem querer…
Leio este post, que falou tanto comigo, e reconheço que não foi por acaso. Deus me trouxe até aqui.
Na próxima reunião espero conseguir estar com vcs!

Deus abençoe!

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