1Amor1Ciclo

 “Tendo-se tornado, assim, um instrumento sem vontade própria, o tolo também é capaz de qualquer maldade e, ao mesmo tempo, incapaz de reconhecê-la como tal.”

[Dietrich Bonhoeffer]

Confesso que uma das cenas mais engraçadas que eu vi até agora na copa, foi o Marcelo, jogador do Brasil, vestindo o uniforme da Croácia (de um colega do time em que joga) numa entrevista logo após o jogo onde ele acidentalmente fez um gol contra, favorecendo a própria  seleção da Croácia. Eu fiquei pensando comigo: Será que ele não sabe que isso fará dele uma piada internacional por uns bons dias? Ou será que ele estava fazendo de propósito? Ou não estava nem aí?
Longe de mim, fazer qualquer comparação do jogador com o título do texto, menos ainda com a citação. Afinal, todos sabemos que qualquer jogador está sujeito a marcar um gol contra. Minha atenção se dirige mais a uma metáfora “futebolística”, pegar uma carona nessa idéia, se você assim me permitir.

 Nesse ensaio que citei acima, o teólogo e mártir cristão, Dietrich Bonhoeffer, coloca a tolice como o grande inimigo do bem, até mesmo, maior que a própria maldade. O mal tem sua agenda, ele pode ser reconhecido, avistado, combatido. Já a tolice é muito mais sutil, logo, é mais difícil de se defender, pois ela nasce no nosso meio, está disfarçada e joga para o “time do bem”. Mas no fim, acaba por marcar o gol contra e garantir a vitória do adversário. O tolo está completamente satisfeito consigo mesmo, ou pelo menos, convicto e seguro de sua posição.

Tem uma frase que há anos eu cito e faço muito uso, embora não saiba quem a disse, se é que alguém realmente a disse (rs). Acredito que ela se aplica bem, nesse contexto. “A maior mentira é a mais parecida com a verdade”. Quando a mentira é obviamente o oposto a verdade ela não cumpre totalmente seu papel, pois já não engana tão bem. Enquanto que aquela que é parecida com a verdade, oculta uma outra raiz e intenção, essa sim, torna-se perigosa. Pois passando-se por verdade é capaz de distorcer totalmente sua essência e levar as pessoas que a seguem para um lugar, a longo prazo, muito distante do objetivo inicial, porém, quase sem possibilidade de volta, pois não há reconhecimento do engano, afinal o plano seguiu conforme o combinado.

Se a tolice é o grande inimigo, qual seria a nossa aliada, capaz de nos proteger e direcionar?
A bíblia também faz questão de nos alertar para o perigo da tolice, ao mesmo tempo que tece grandes elogios ao homem sábio.

“O temor a Deus é o princípio da sabedoria.”

Dito isso, como podemos ter certeza que estamos realmente cooperando para o bem? O que nos garante que não somos tolos, pessoas cegas convictas de que estão fazendo o bem, militando em favor do que é certo com a nossa moral elevada e politicamente correta, a medida que vamos sufocando em nós todo o sopro divino?

Todos os dias sinto que esse é o nosso grande desafio, não lutar contra o mal, propriamente dito, mas contra a tolice que nos contamina como sociedade e até mesmo igreja (principalmente). Combater pensamentos, posturas e posicionamentos que vestem o uniforme do “time do bem”, tem embasamento racional, mas não promovem vida, só uma sombra dela, enquanto a morte continua a se aproximar. Qual morte?

Não só a física, mas principalmente a espiritual, aquela que nos rouba o sentido da vida e nos escraviza. Nos escraviza ao ponto de reduzir o significado de nossas vidas a um mero prazer, felicidade plástica, abstinência da dor, consumo desenfreado tentando colocar um saco vazio de pé, ao passo que nos anestesiamos cada dia mais e mais e ficamos cegos para as coisas que verdadeiramente dão sentido a vida.

O antigo provérbio diz que o princípio da sabedoria é o temor a Deus. E por que não o conhecimento de Deus? Pois há sinceridade ao dizer que falta conhecimento sobre ele. Já que é um dos impulsos mais naturais do homem, temer o que não entende. Pois entende que está sujeito a este Deus e não o contrário e isso nos assusta, porém, também nos liberta das correntes da certeza, da auto-suficiência e do orgulho.

Quanto sangue derramado, quanta dor, quanta separação, quanta morte em nome de tantas facetas e bandeiras diferentes “do bem”. Onde está o mal? Não sei, só sobraram os homens de bem, aqueles que crucificam o temor a Deus, para se tornarem conhecedores do bem e o mal.

Luiz Felipe Queiroz

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